segunda-feira, 10 de agosto de 2009



Literatura...Dalai !!

Depois de mais de 30 anos de silêncio o Brasil começa a gritar o nome dessa mulher. Mas por acaso um escritor consegue ficar ausente? O livro, ali, contendo sua alma e sua paixão, não seria sua presença? Ou até mesmo mais que isso?
"Mas é que a verdade nunca me fez sentido.A verdade não me faz sentido! É por isso que eu a temia e a temo. Desamparada, eu te entrego tudo - para que faças disso uma coisa alegre. Por te falar eu te assustarei? Mas se eu nunca falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia."
Congressos,palestras, simpósios que tentar desvendar o mistério Clarice Lispector, que nem mesmo Drummond conseguiu desvendar. Mistérios embebedados em palavras às vezes tidas como herméticas e confusas, perdidas num embaçamento de emoções, mas que no fundo nada mais eram que a mais bela forma de expressão. Porém, muitos erros vêm à tona com tantas releituras de sua obra. Por exemplo: alguns dizem que há influência de Virginia Woolf naquela obra, porém Clarice afirma que só depois de 1945 veio tomar conhecimento dessa escritora. Ou seja, muito já havia sido escrito por ela. Assim, ela não É INFLUENCIADA por Woolf, e sim IGUALADA a Woolf. Da mesma forma a Joyce. Ou Proust. O fato de escrever na língua portuguesa não deve, e não pode, desmerecer tal obra.
Aspectos ainda restam a serem estudados. Isso é lógico e claro. A obra de Clarice por mais estudada que seja ainda deixa rastros do desconhecido, como uma forma de epifania do ser em volume máximo. Ela se expôs nas páginas, colocando ali sua alma e sua dor, e não há mais enigmático que a alma de uma pessoa. Nada alcança tanto mistério, e Clarice não só atingiu esse mistério em cheio como também o descreveu. Nós, meros leitores, ficamos aqui, a ver mistérios, buscando desvendá-los, numa tentativa (inútil?) de entendê-los.
"Não se preocupe em entender,
viver ultrapassa todo entendimento".
O brasileiro não honra o que se tem. Fica mergulhado em Harry Potter's, hobbit's, assassinatos em expressos oriente e caçadores de pipas perdidos no mundo. Ninguém olha pro tesouro que há na língua portuguesa. Ligam literatura a política, e se uma vai mal a outra despenca. O pior é quando resolve ler "algo brasileiro". Então há a febre de coelhos surfistas ou autoajuda barata. Ninguém percebe que temos na nossa língua uma mulher - e outros que podemos citar - que mergulham no mistério da vida e trazem à tona uma literatura de primeira. Clarice fez isso. E morreu de câncer no ovário. E morreu calada pela pobreza. E começou o silêncio, que só foi quebrado trinta anos depois. Antes tarde do que nunca. Então, chegou A HORA DE ESTRELA!
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E bom mergulho..."Mergulhe, como eu mergulhei.
Renda-se,como eu me rendi".
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